Compro imagens. Os designers me ganham com embalagens e rótulos. O contraste de cores me faz escolher por uma poupa de tomate ou outra.
Não, desculpa. Não estou te comparando a uma poupa de tomate. Não, você não é uma mercadoria na estante. É só que foi sua imagem que me roubou. O ar. O tempo. A atenção.
E eu me peguei admirando suas linhas. Mirando fotos. Te levei pro sonho. Te contei segredos.
Te guardei no carnaval, morte mexicana. Dourada sobre as pedras do Rio. Descolorida em qualquer lugar do mundo.
Sim, eu fugiria de mim se fosse você. Pareço uma louca. Ou aos 13.
Nunca ouvi sua voz, nunca apertei seu corpo contra o meu, nunca senti seus dedos. E a quero.
Quero a imagem que construi de você. Verdadeira? Não sei. Colei seu olhos, sua boca, frases soltas, seu corpo em movimento. E criei. Imaginei. Dança de lábios, línguas sobre curvas.
E te diria: você me fez conhecer. Me fez descobrir que eu não sabia de mim. Me despertou.
Parece clichê. Frase feita de lugar comum. Mas é a verdade que eu gostaria de te contar. Um dia.
domingo, 18 de maio de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
A pequena Morte
Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.
Eduardo Galeano
Eduardo Galeano
Verdades sobre o amor:
"Eu não sou sua
alma gêmea, sua tampa da panela, sua metade da laranja, o cordão do seu
pingente, o arroz do seu feijão, o parafuso da sua porca, o Ying do seu Yang, a
peça que faltava no seu quebra-cabeças ou a tampa da sua bic.
Eu não te completo,
você não me completa. Eu vivo sem você e você vive sem mim. Você não é minha
felicidade nem eu sou a sua. Eu não sou seu par perfeito, seu alguém no mundo,
seu amor de outras vidas, eu não sou tudo o que faltava para você ser feliz. Eu
não sou nada do que faltava para você ser feliz.
Eu não sou o seu Romeu, nem o mocinho da novela das oito, nem aquela voz do rádio que embalou seus sonhos de amor adolescentes, nem seu príncipe encantado.
Eu não sou seu, você não é minha, e que bom que a gente gosta disso.
Porque é negando que seremos muito mais que todo esse melodrama que a gente inventou para dar mais sentido à nossa vida, que a gente criou para tentar se encontrar no outro, e olha só quanta ironia, foi justamente aí que a gente acabou se perdendo.
Calma, a culpa não é sua, a culpa não é minha. É de Shakespeare, é do Ivan Lins, é dos cantores românticos, é do Manoel Carlos, é da tragédia grega, é das comédias românticas e de qualquer um que colaborou para criar e disseminar essa ideia falsa do amor perfeito pertencente, dependente, doentio.
Estamos livres dessas grades e correntes. E livres, se cá estamos é porque cá queremos estar.
E melhor: estamos livres da ideia de perfeição que tanto assombra e afasta as pessoas.
Eu não sou o seu Romeu, nem o mocinho da novela das oito, nem aquela voz do rádio que embalou seus sonhos de amor adolescentes, nem seu príncipe encantado.
Eu não sou seu, você não é minha, e que bom que a gente gosta disso.
Porque é negando que seremos muito mais que todo esse melodrama que a gente inventou para dar mais sentido à nossa vida, que a gente criou para tentar se encontrar no outro, e olha só quanta ironia, foi justamente aí que a gente acabou se perdendo.
Calma, a culpa não é sua, a culpa não é minha. É de Shakespeare, é do Ivan Lins, é dos cantores românticos, é do Manoel Carlos, é da tragédia grega, é das comédias românticas e de qualquer um que colaborou para criar e disseminar essa ideia falsa do amor perfeito pertencente, dependente, doentio.
Estamos livres dessas grades e correntes. E livres, se cá estamos é porque cá queremos estar.
E melhor: estamos livres da ideia de perfeição que tanto assombra e afasta as pessoas.
Seremos os dois, errantes, incompletos, verdadeiros.
Faremos do dois, três: o eu, o você, o nós.
E eu te garanto: é ainda mais lindo assim, quando é imperfeito.
Quer apostar?"
Mateus Melo
sábado, 29 de março de 2014
Soy América Latina!
Soy,
Soy lo que dejaron,
soy toda la sobra de lo que se robaron.
Un pueblo escondido en la cima,
mi piel es de cuero por eso aguanta cualquier clima.
Soy una fábrica de humo, ...
mano de obra campesina para tu consumo.
Frente de frio en el medio del verano,
el amor en los tiempos del cólera, mi hermano.
El sol que nace y el día que muere,
con los mejores atardeceres.
Soy el desarrollo en carne viva,
un discurso político sin saliva.
Las caras más bonitas que he conocido,
soy la fotografía de un desaparecido.
Soy la sangre dentro de tus venas,
soy un pedazo de tierra que vale la pena.
Soy una canasta con frijoles,
soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles.
Soy lo que sostiene mi bandera,
la espina dorsal del planeta es mi cordillera.
Soy lo que me enseño mi padre,
el que no quiere a su patria no quiere a su madre.
Soy América latina,
un pueblo sin piernas pero que camina.
Tú no puedes comprar al viento.
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
Tú no puedes comprar el calor.
Tú no puedes comprar las nubes.
Tú no puedes comprar los colores.
Tú no puedes comprar mi alegría.
Tú no puedes comprar mis dolores.
Tengo los lagos, tengo los ríos.
Tengo mis dientes pa` cuando me sonrío.
La nieve que maquilla mis montañas.
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña.
Un desierto embriagado con bellos de un trago de pulque.
Para cantar con los coyotes, todo lo que necesito.
Tengo mis pulmones respirando azul clarito.
La altura que sofoca.
Soy las muelas de mi boca mascando coca.
El otoño con sus hojas desmalladas.
Los versos escritos bajo la noche estrellada.
Una viña repleta de uvas.
Un cañaveral bajo el sol en cuba.
Soy el mar Caribe que vigila las casitas,
Haciendo rituales de agua bendita.
El viento que peina mi cabello.
Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello.
El jugo de mi lucha no es artificial,
Porque el abono de mi tierra es natural.
Tú no puedes comprar al viento.
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
Tú no puedes comprar el calor.
Tú no puedes comprar las nubes.
Tú no puedes comprar los colores.
Tú no puedes comprar mi alegría.
Tú no puedes comprar mis dolores.
Você não pode comprar o vento
Você não pode comprar o sol
Você não pode comprar chuva
Você não pode comprar o calor
Você não pode comprar as nuvens
Você não pode comprar as cores
Você não pode comprar minha felicidade
Você não pode comprar minha tristeza
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
(Vamos dibujando el camino,
vamos caminando)
No puedes comprar mi vida.
MI TIERRA NO SE VENDE.
Trabajo en bruto pero con orgullo,
Aquí se comparte, lo mío es tuyo.
Este pueblo no se ahoga con marullos,
Y si se derrumba yo lo reconstruyo.
Tampoco pestañeo cuando te miro,
Para q te acuerdes de mi apellido.
La operación cóndor invadiendo mi nido,
¡Perdono pero nunca olvido!
(Vamos caminando)
Aquí se respira lucha.
(Vamos caminando)
Yo canto porque se escucha.
Aquí estamos de pie
¡Que viva Latinoamérica!
No puedes comprar mi vida.
Soy lo que dejaron,
soy toda la sobra de lo que se robaron.
Un pueblo escondido en la cima,
mi piel es de cuero por eso aguanta cualquier clima.
Soy una fábrica de humo, ...
mano de obra campesina para tu consumo.
Frente de frio en el medio del verano,
el amor en los tiempos del cólera, mi hermano.
El sol que nace y el día que muere,
con los mejores atardeceres.
Soy el desarrollo en carne viva,
un discurso político sin saliva.
Las caras más bonitas que he conocido,
soy la fotografía de un desaparecido.
Soy la sangre dentro de tus venas,
soy un pedazo de tierra que vale la pena.
Soy una canasta con frijoles,
soy Maradona contra Inglaterra anotándote dos goles.
Soy lo que sostiene mi bandera,
la espina dorsal del planeta es mi cordillera.
Soy lo que me enseño mi padre,
el que no quiere a su patria no quiere a su madre.
Soy América latina,
un pueblo sin piernas pero que camina.
Tú no puedes comprar al viento.
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
Tú no puedes comprar el calor.
Tú no puedes comprar las nubes.
Tú no puedes comprar los colores.
Tú no puedes comprar mi alegría.
Tú no puedes comprar mis dolores.
Tengo los lagos, tengo los ríos.
Tengo mis dientes pa` cuando me sonrío.
La nieve que maquilla mis montañas.
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña.
Un desierto embriagado con bellos de un trago de pulque.
Para cantar con los coyotes, todo lo que necesito.
Tengo mis pulmones respirando azul clarito.
La altura que sofoca.
Soy las muelas de mi boca mascando coca.
El otoño con sus hojas desmalladas.
Los versos escritos bajo la noche estrellada.
Una viña repleta de uvas.
Un cañaveral bajo el sol en cuba.
Soy el mar Caribe que vigila las casitas,
Haciendo rituales de agua bendita.
El viento que peina mi cabello.
Soy todos los santos que cuelgan de mi cuello.
El jugo de mi lucha no es artificial,
Porque el abono de mi tierra es natural.
Tú no puedes comprar al viento.
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
Tú no puedes comprar el calor.
Tú no puedes comprar las nubes.
Tú no puedes comprar los colores.
Tú no puedes comprar mi alegría.
Tú no puedes comprar mis dolores.
Você não pode comprar o vento
Você não pode comprar o sol
Você não pode comprar chuva
Você não pode comprar o calor
Você não pode comprar as nuvens
Você não pode comprar as cores
Você não pode comprar minha felicidade
Você não pode comprar minha tristeza
Tú no puedes comprar al sol.
Tú no puedes comprar la lluvia.
(Vamos dibujando el camino,
vamos caminando)
No puedes comprar mi vida.
MI TIERRA NO SE VENDE.
Trabajo en bruto pero con orgullo,
Aquí se comparte, lo mío es tuyo.
Este pueblo no se ahoga con marullos,
Y si se derrumba yo lo reconstruyo.
Tampoco pestañeo cuando te miro,
Para q te acuerdes de mi apellido.
La operación cóndor invadiendo mi nido,
¡Perdono pero nunca olvido!
(Vamos caminando)
Aquí se respira lucha.
(Vamos caminando)
Yo canto porque se escucha.
Aquí estamos de pie
¡Que viva Latinoamérica!
No puedes comprar mi vida.
sábado, 22 de março de 2014
Fome de tudo
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
quarta-feira, 12 de março de 2014
Correr mundo
Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Todo dia.
Você não entende nada - Caê
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Todo dia.
Você não entende nada - Caê
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Sobre o fim de uma paixão
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Um bom encontro é de dois!
Vanessa da Mata - Boa Sorte
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Um bom encontro é de dois!
Vanessa da Mata - Boa Sorte
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Mon cher
Sinto vontade de escrever, mas não sei bem o quê. Palavras não me vêm, é só um desejo imenso de descrever o teu cheiro e seu efeito sobre o meu corpo. Reclamo do seu cigarro, mas procuro na sua ausência essa fragrância, algo que fica entre o perfume Dior e a carteira de Marlboro.
É doce e amargo como é tua essência, rapaz.
"Bisous, ma belle", você me diz ao pé do ouvido e me faz viajar. Estamos caminhando juntos por qualquer rua de Paris, passeamos nas margens do Rio Sena, nos beijamos como aquele antigo casal em frente ao Hotel de Ville. Sim, gosto desses clichês e os imagino todos, ao teu lado sempre, mon cher.
Onde mais você me levará? A que sabores irá me apresentar? Teu cheiro já me basta.
Quantos mais arrepios, caretas, risinhos e faltas de ar? Quantos mais motivos pra me irritar?
Em espanhol digo "te quiero, molesto" ( francês não é mesmo meu forte, guapísimo).
E que continuemos a cantar e dançar todo o amor do mundo, até o fim raiar.
É doce e amargo como é tua essência, rapaz.
"Bisous, ma belle", você me diz ao pé do ouvido e me faz viajar. Estamos caminhando juntos por qualquer rua de Paris, passeamos nas margens do Rio Sena, nos beijamos como aquele antigo casal em frente ao Hotel de Ville. Sim, gosto desses clichês e os imagino todos, ao teu lado sempre, mon cher.
Onde mais você me levará? A que sabores irá me apresentar? Teu cheiro já me basta.
Quantos mais arrepios, caretas, risinhos e faltas de ar? Quantos mais motivos pra me irritar?
Em espanhol digo "te quiero, molesto" ( francês não é mesmo meu forte, guapísimo).
E que continuemos a cantar e dançar todo o amor do mundo, até o fim raiar.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Transgressões
Todo mandato é minucioso
e cruel,
eu gosto
das frugais transgressões
por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo
ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia
mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo
que a recordação nos esquece
obedecer cegamente deixa
cego
crescemos
somente na ousadia
só quando transgrido alguma
ordem
o futuro
se torna respirável
todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões
Mario Benedetti
e cruel,
eu gosto
das frugais transgressões
por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo
ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia
mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo
que a recordação nos esquece
obedecer cegamente deixa
cego
crescemos
somente na ousadia
só quando transgrido alguma
ordem
o futuro
se torna respirável
todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões
Mario Benedetti
sábado, 18 de janeiro de 2014
Espiritualidade
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Trecho de "Há metafísica bastante em não pensar em nada", de Alberto Caeiro
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Trecho de "Há metafísica bastante em não pensar em nada", de Alberto Caeiro
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Magrelita
O controle dos corpos não recai apenas sobre xs gordinhxs.
Quantas vezes já não ouvi...
- Você é magra demais!
- Tá precisando ganhar uns quilinhos, hein?
- Seu corpo seria muito mais bonito se você tivesse uns quilinhos a mais.
E aquele vendedor que te diz que pra você ficar bem na marca "dele" só ganhando muito, mas muito mesmo.
E você começa a se incomodar com seu próprio corpo. E olhar com desprezo ou raiva cada ossinho a mostra.
E vai à balança; e lamenta os graminhas conquistados; e festeja quando são quilos.
E obedece uma dieta rígida e extensa, come banquetes, toma remédio,
toma suplementos e "engorda". Quando chega ao seu peso "ideal" vem o
discurso terrorista:
- Cuidado, assim você vai virar uma "bola" quando estiver mais velha!
E emagrece. Porque seu corpo perde gordura/massa corporal rápido demais. E lá vem de novo os comentários... Tá magrinha hein?
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Sushi, chá bar
E esse seu jeito de falar
Cantar, dançar, olhar pra mim
Viver é não ter que transplantar…
Doar sangrar trocar chamar pedir mostrar mentir falar justificar no cais chorando não sou eu quem vai ficar dizendo adeus batucada macaco no seu galho da roseira em flor da laranjeira amor é choradeira horror a vida inteira à beira da loucura e a dor e a dor e a dor e a dor…
Sushi - Tulipa Ruiz
E esse seu jeito de falar
Cantar, dançar, olhar pra mim
Viver é não ter que transplantar…
Doar sangrar trocar chamar pedir mostrar mentir falar justificar no cais chorando não sou eu quem vai ficar dizendo adeus batucada macaco no seu galho da roseira em flor da laranjeira amor é choradeira horror a vida inteira à beira da loucura e a dor e a dor e a dor e a dor…
Sushi - Tulipa Ruiz
domingo, 20 de outubro de 2013
Isadora
Descalça, despida, envolvida apenas pela bandeira Argentina, Isadora Duncan dança o hino nacional.
Comete esta ousadia numa noite de 1916, num café de estudantes de Buenos Aires, e na manhã seguinte todo mundo sabe: o empresário rompe o contrato, as boas famílias devolvem suas entradas ao Teatro Colón e a imprensa exige a expulsão imediata desta pecadora norte-americana que veio à Argentina para macular os símbolos pátrios.
Isadora não entende nada. Nenhum francês protestou quando ela dançou a Marselhesa com um xale vermelho como traje completo. Se é possível dançar uma emoção, se é possível dançar uma ideia, porque não se pode dançar um hino?
A liberdade ofende. Mulher de olhos brilhantes, Isadora é inimiga declarada da escola, do matrimônio, da dança clássica e de tudo aquilo que engaiole o vento. Ela dança porque dançando goza, e dança o que quer, quando quer e como quer, e as orquestras se calam frente à música que nasce do seu corpo.
- Eduardo Galeano, Mulheres
Acho que foi dela que herdei esse brilho nos olhos, essa mania de pés descalços e música no corpo.
sábado, 21 de setembro de 2013
Sim, a menina ainda dança.
E como antes, retira as sandálias para dançar
Ela precisa sentir o chão
e permitir que a música lhe domine o corpo (ou liberte?).
Se reconecta.
Naquele instante já não há pesar
Leve, se deixa fluir
As pessoas ao seu redor já não estão
São também melodia
ou energia.
Pé faz círculos, vai ao ar, pisa forte
e seu corpo ginga
gargalha
grita.
- A felicidade assim como a tristeza vem, sutilmente.
E como antes, retira as sandálias para dançar
Ela precisa sentir o chão
e permitir que a música lhe domine o corpo (ou liberte?).
Se reconecta.
Naquele instante já não há pesar
Leve, se deixa fluir
As pessoas ao seu redor já não estão
São também melodia
ou energia.
Pé faz círculos, vai ao ar, pisa forte
e seu corpo ginga
gargalha
grita.
- A felicidade assim como a tristeza vem, sutilmente.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Poetisar
"De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás"
Cazuza
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás"
Cazuza
domingo, 2 de junho de 2013
Comia uma maçã vermelha, enquanto via o céu virar rio e desaguar. Sobre seu corpo o outro queimava em febre e o movimento os deixava tontos, em delírio. Como em um bom barco estavam indo e vindo, a procura de direção. Haviam largado as âncoras e não existia mais um porto.
Estava em encontro, se encantava com o por de lua de um e os raios solares que surgiam dos cabelos de outro. De risos e grilhos fizeram uma festa e celebraram o Ser mais. Trocaram, deixaram, apertaram, passaram.
A chuva que os molhou fez união, de ciranda e abraços.
Estava em encontro, se encantava com o por de lua de um e os raios solares que surgiam dos cabelos de outro. De risos e grilhos fizeram uma festa e celebraram o Ser mais. Trocaram, deixaram, apertaram, passaram.
A chuva que os molhou fez união, de ciranda e abraços.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Pra não ser tarde
"Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo."
Ela desligou a música e re-escreveu a história.
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo."
Ela desligou a música e re-escreveu a história.
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