Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.
(Clarice Lispector)
sábado, 22 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Correr mundo
Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Todo dia.
Você não entende nada - Caê
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
Todo dia.
Você não entende nada - Caê
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Sobre o fim de uma paixão
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Um bom encontro é de dois!
Vanessa da Mata - Boa Sorte
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Um bom encontro é de dois!
Vanessa da Mata - Boa Sorte
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Mon cher
Sinto vontade de escrever, mas não sei bem o quê. Palavras não me vêm, é só um desejo imenso de descrever o teu cheiro e seu efeito sobre o meu corpo. Reclamo do seu cigarro, mas procuro na sua ausência essa fragrância, algo que fica entre o perfume Dior e a carteira de Marlboro.
É doce e amargo como é tua essência, rapaz.
"Bisous, ma belle", você me diz ao pé do ouvido e me faz viajar. Estamos caminhando juntos por qualquer rua de Paris, passeamos nas margens do Rio Sena, nos beijamos como aquele antigo casal em frente ao Hotel de Ville. Sim, gosto desses clichês e os imagino todos, ao teu lado sempre, mon cher.
Onde mais você me levará? A que sabores irá me apresentar? Teu cheiro já me basta.
Quantos mais arrepios, caretas, risinhos e faltas de ar? Quantos mais motivos pra me irritar?
Em espanhol digo "te quiero, molesto" ( francês não é mesmo meu forte, guapísimo).
E que continuemos a cantar e dançar todo o amor do mundo, até o fim raiar.
É doce e amargo como é tua essência, rapaz.
"Bisous, ma belle", você me diz ao pé do ouvido e me faz viajar. Estamos caminhando juntos por qualquer rua de Paris, passeamos nas margens do Rio Sena, nos beijamos como aquele antigo casal em frente ao Hotel de Ville. Sim, gosto desses clichês e os imagino todos, ao teu lado sempre, mon cher.
Onde mais você me levará? A que sabores irá me apresentar? Teu cheiro já me basta.
Quantos mais arrepios, caretas, risinhos e faltas de ar? Quantos mais motivos pra me irritar?
Em espanhol digo "te quiero, molesto" ( francês não é mesmo meu forte, guapísimo).
E que continuemos a cantar e dançar todo o amor do mundo, até o fim raiar.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Transgressões
Todo mandato é minucioso
e cruel,
eu gosto
das frugais transgressões
por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo
ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia
mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo
que a recordação nos esquece
obedecer cegamente deixa
cego
crescemos
somente na ousadia
só quando transgrido alguma
ordem
o futuro
se torna respirável
todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões
Mario Benedetti
e cruel,
eu gosto
das frugais transgressões
por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo
ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia
mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo
que a recordação nos esquece
obedecer cegamente deixa
cego
crescemos
somente na ousadia
só quando transgrido alguma
ordem
o futuro
se torna respirável
todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões
Mario Benedetti
sábado, 18 de janeiro de 2014
Espiritualidade
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Trecho de "Há metafísica bastante em não pensar em nada", de Alberto Caeiro
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Trecho de "Há metafísica bastante em não pensar em nada", de Alberto Caeiro
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